História da EFVM
A sonhada ligação ferroviária entre o interior de Minas Gerais e o Porto de Vitória teve origem na segunda metade do século XIX. Em fevereiro de 1902 o Governo Federal concedeu, através de um decreto-lei, a criação da Companhia Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Inicialmente houve duas concessões ferroviárias distintas, de Vitória/ES a Peçanha/MG, e de Peçanha a Araxá/MG, que malograram pela falta de recursos e de viabilidade comercial. Posteriormente, no vaivém de decretos e discussões sobre qual seria o melhor traçado, destacaram-se os engenheiros Pedro Augusto Nolasco Pereira da Cunha e João Teixeira Soares, que idealizaram um novo traçado com base nos anteriores, dando origem à Estrada de Ferro Vitória a Minas. Pedro Nolasco foi visionário e constituiu o projeto com base em seu verdadeiro objetivo: ligar o norte mineiro ao mar.

Assim, com o objetivo inicial de ligar Vitória a Diamantina/MG, o primeiro trecho foi inaugurado em 13 de maio de 1904, com 30 quilômetros e contando com três estações: Porto Velho, Cariacica e Alfredo Maia. Com o anúncio sobre grandes jazidas de minério em Minas Gerais no ano de 1908, o percurso final da ferrovia foi mudado para a cidade de Itabira, onde uma grande mina seria explorada.

As questões políticas sobre a exploração e a exportação do minério, a instalação de uma indústria siderúrgica e o cenário internacional de guerras mundiais (1914-1919; 1939-1945), dificultaram o processo de expansão e modernização da Vitória a Minas, por isso o primeiro carregamento de minério no Porto de Vitória só ocorreu no ano de 1940 e os trilhos só chegaram em Itabira em 1942.

A Estrada de Ferro Vitória a Minas ganhou impulso após 1942 - ano de criação da Vale, então Companhia Vale do Rio Doce -, sendo formada a partir dos Acordos de Washington, entre Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. Esses acordos políticos determinavam que a Inglaterra cederia ao Brasil o controle das minas de ferro, os Estados Unidos comprariam o minério e auxiliariam na questão da siderurgia e o Brasil ficaria responsável pela melhoria da Estrada de Ferro Vitória a Minas, responsável pelo transporte do minério para exportação.

As primeiras melhorias na ferrovia ocorreram na década de 40, com a remodelação do trecho entre Vitória e Colatina/ES. A década de 1950 caracterizou-se pela introdução das primeiras locomotivas a diesel e de novas melhorias ao longo da ferrovia. Na década de 60 a substituição das locomotivas a vapor pelas locomotivas diesel-elétricas teve continuidade. Foram construídos novos ramais no vale do rio Piracicaba/MG e começou-se a pensar na ampliação da capacidade linha para o transporte de minério. A duplicação da linha aconteceu entre os anos de 1971 e 1977; um grande marco na evolução da ferrovia.

A implantação do controle de tráfego automatizado e seu desenvolvimento até os dias de hoje tem colaborado para que a Vitória a Minas seja uma das mais modernas ferrovias do mundo. As décadas de 80 e 90 caracterizaram-se pelo aumento da capacidade de transporte por meio da diversificação de produtos transportados juntamente com o minério de ferro. Após a privatização da Vale, em 1997, os investimentos na ferrovia continuaram, com a aquisição de novas locomotivas e vagões em função do crescimento da produção do minério de ferro, chegando aos dias de hoje com uma produtividade recorde e investimentos na expansão de alguns trechos.

Além do transporte de cargas, a Estrada de Ferro Vitória a Minas é a única ferrovia brasileira que realiza o transporte diário de passageiros, ligando Vitória a Belo Horizonte.

Maria Fumaça

Popularmente conhecida como Maria Fumaça, a locomotiva Mikado nº 185, fabricada pela Baldwin Locomotives Works na Filadélfia, Estados Unidos, em agosto de 1945, é uma das últimas a vapor adquiridas pela Vale na década de 40. Tem capacidade para puxar até 22 vagões carregados de minério de ferro a uma velocidade de 25 km/h, sendo originalmente operada por um maquinista, um foguista (que alimenta a fornalha e a caldeira) e um graxeiro. As locomotivas a vapor da Estrada de Ferro Vitória a Minas foram gradualmente substituídas pelas diesel-elétricas entre as décadas de 1950 e 1970. Restaurada pela última vez no primeiro semestre de 1997 na oficina de vagões no Complexo de Tubarão da Vale, em Vitória, Espírito Santo, por um grupo de aposentados da antiga oficina de João Neiva, a Maria Fumaça encontra-se em condições normais de funcionamento. A cobertura existente junto à plataforma do Edifício Sede foi projetada e construída em 2005 especialmente para abrigar a composição da Maria Fumaça (locomotiva, carro de passageiros e vagão de cargas), protegendo-a das intempéries.
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